"Nenhum deus mais nos ameaça, nenhuma justiça, nenhum destino como na 'Quinta Sinfonia', e sim acidentes de trânsito, rupturas de diques em virtude de falha de construção, a explosão de uma fábrica de bombas atômicas provocada por um funcionário de laboratório distraído, chocadeiras mal-instaladas. É a esse mundo de panes que leva nosso caminho, de cuja margem poeirenta, além de reclames para calçados Bally, automóveis Studebaker, ou sorvetes, e lápides em memória dos acidentados, resultam ainda algumas histórias possíveis.
A humanidade olhando a partir de uma cara comum, o azar sem querer se generalizando, julgamento e justiça tornando-se visíveis, talvez até piedade, captada por acaso, refletida pelo monóculo de um embriagado."
Essa é a introdução para "A pane" feita pelo próprio autor, Friedrich Dürrenmatt, meu amor de verão. Nas três narrativas que compõem "A pane, o túnel, o cão", o que ele aparentemente faz é insistir na imutabilidade da vida através ou apesar de todos os acidentes e imprevistos, porque, afinal, vida = labirinto. Traduz "o que é é, o que não é não é" pra literatura.
mãe menininha do penhoar às 01:38Os anúncios de automóveis que recentemente invadiam meu caminho eram os dos impagáveis Picanto e Magents (melhores nomes ever), da Kia Motors. Mas aí veio o Kassab com todo o vuco-vuco e, putz.
Que saudade do Picanto.
Posted by: ulisses at janeiro 26, 2007 11:22 AM