Eu já havia tentado fazer rolinhos gostosos de massa de arroz uma vez, mas não deu muito certo. Comprei uma nova bonita massa dos rolinhos vietnamitas e resolvi encarar a tarefa de novo, com sucesso. É uma comida rápida, prática e gostosa. Basicamente porque dá pra comprar tudo meio preparado e aí, né, pronto.
Pois vieram uma bandeja de legumes pra yakisorrow, camarão rosa e o delicioso molho agridoce Uncle Bens. Verdade. Já fui planejando a morte da bezerra, claro. A massa já estava em casa. Aí, é só refogar o camarão com teriyaki, depois juntar os legumes e tomar cuidado pra não ficarem hipercozidos. A massa deve ser umedecida com um pouco de água morna (temperada ou não, depende do seu grau de sincretismo). Aí é só embrulhar os rolinhos. E aí é só passar o molho agridoce por cima...
Assim, não é o risoto de lula-em-sua-tinta do Gero, mas, olha, almoço das *e*s*t*r*e*l*a*s.

"Wildison". Vi esse nome burilado no banco do ônibus e não pude deixar de me emocionar. Um rousseauniano.

E aí não sei se eu não entendo mais as letras dos jovens vândalos ou se é mesmo ele, o Absurdo no busão. Pensei até que pudesse querer dizer algo tipo "Camyla", mas olho de novo e de novo e vejo Camus.
Toda a inquietação vem do fato único e primordial de os brasileiros sermos irrevogável e essencialmente bocós. Eu, você, eles, todos. É, eu também gostaria que não fosse assim, mas depois de 25 anos exercendo o papel de brasileira e bocó, acho que tenho autoridade, como qualquer brasileiro acha, pra fazer esse tipo de diagnóstico.
Somos seres que gostam de discutir projetos sabendo que nunca serão executados, reclamamos dos nossos representantes, achamos que parlamentares de gumex são seres endêmicos do cerrado que simplesmente brotam, botamos a culpa nos patrícios pelos males que nos afligem, pensamos que nossos compatriotas são retardados (e são), mas continuamos discutindo, reclamando, botando, achando e pensando, porque sim.
Há bocós de vários níveis e tendências, já que nosso país quentinho também sabe ser plural, então há os que se empenham em discussões estéreis, há os que se dizem fartos delas, há os que nem querem entrar nem sair, tanto faz.
Bocó, já pensei que se o país todo, em uníssono e em trajes apropriados, assumisse a condição de bocó, as coisas poderiam melhorar. Mas não se trata disso. Nunca deixaremos de ser bocós, porque é o nosso etos. É até mais confortável assim, sem a obrigação de sair da lama, porque nossos espíritos bocós podem se esticar e ficar mais um pouquinho. Eu gosto de ficar mais um pouquinho.
Não há contradição possível. Nenhum brasileiro pode dizer que lhe faltou a bocozice, porque é mentira. Eu sou bocó, você é bocó, eles são bocós, todos somos bocós. Ser brasileiro é carregar uma cruz numa mão, botar a outra no guidom da bicicleta barraforte e sair gritando na rua. É impossível escapar. Olha que eu tento. Olha que eu falo poxa poderia ser mais legal esse lugar. Mas não tem jeito. Um vacilo e lá estou eu com a cruz, a bici e o grito.
Pra ilustrar a epifania, coloco uma piada que a mim me foi contada pelo meu grande amigo migo, também bocó, atribuída a Slavoj Zizek, que, embora não seja brasileiro, compartilha conosco a alma de bocó. Mas a piada é ilustrativa.
tinha um turista no balcao de um bar em budapeste sei lá onde e ele tava tomando uisque e de repente surgiu um macaco correndo e molhou as bolas no uisque dele
ele ficou estarrecido claro mas o macaco veio correndo de novo e molhou de novo o saco no uisque dele
o turista ficou puto e viu um cigano tocando violino e cantando ele foi até o cigano e perguntou
'vc conhece esse macaco q molha o saco no meu uisque?'
o cigano começou a cantar 'esse macaco q molha o saco no meu uisque lá lá lá'
E você pode sair do Brasil, mas o Brasil não sairá de você. Isso aqui é o verdadeiro "Lost". É por isso que eu me fio no Pauderney.
I'll be the grapes fermented, bottled and served with the table set in my finest suit, like a perfect gentleman. I'll be the fire escape that's bolted to the ancient brick where you will sit and contemplate your day.
I'll be the waterwings that save you if you start drowning in an open tab when your judgment's on the brink. I'll be the phonograph that plays your favorite albums back as you're lying there, drifting off to sleep.
I'll be the platform shoes and undo what heredity's done to you. You won't have to strain to look into my eyes.
I'll be your winter coat buttoned and zipped straight to the throat with the collar up so you won't catch a cold.
I want to take you far from the cynics in this town and kiss you on the mouth. We'll cut our bodies free from the tethers of this scene, start a brand new colony where everything will change, we'll give ourselves new names, identities erased.
The sun will heat the grounds under our bare feet in this brand new colony.
***
Pra mim é a música mais linda, assim, """em termos de imagem""".
Trabalho perto de uma loja do MST e fico curiosa pra ver o que vendem nos sacos transparentes simulando rusticidade que vendem lá. As bandeiras e os bonés consigo ver até sem óculos, mas uns sacos de coisas que parecem grãos já me escapam. Mas, vocês sabem, sou medrosa demais, daí não tenho coragem de entrar na loja, com medo de que agindo assim eu seja desapropriada, vestida com lonas pretas ou no mínimo levada pra uma dimensão onde só haja *bancada ruralista*, líderes raivosos de boné, milho, algodão e soja. Commodities em geral.
Mas mesmo assim tenho planos de criar uma grife chamada "Do Oprimido". Apostando na tendência da contradição pela paz, fabricaria produtos como o jeans Do Oprimido, suco de laranja Do Oprimido, pipoca pra microondas Do Oprimido, boné, claro, Do Oprimido, porque uma coisa que oprimido usa é boné. Arroz com casca Do Oprimido, roupa de viscolycra Do Oprimido, refrigerante de cola Do Oprimido. E a linha soja Do Oprimido, com todas aquelas coisas que amamos odiar.
Porque sinceramente. Tive que completar com cachaça uma caneca de leite de soja. Curto um Mupy Do Oprimido, mas quando o chicote do bom senso dá uma trégua, olha, não dá.
A diferença é que
Você vive o seu inferno como se fosse uma luta, eu vivo o meu como se fosse assim mesmo.
Veja a galeria de fotos.
***
O Carnaval iria ganhar muito se os desfiles pudessem contar com uma agremiação da intelligentsia da mídia interneteira. Um G.R.E.S digno do nome mesmo, já que seria grêmio, seria recreativo, seria escola e seria samba. Aí poderiam desfilar todos os nomes que vocês sabem quem são, todos, de todas as tendências de """pensamento""" para onde todos os links apontam. Eu só gostaria de sugerir, se eu pudesse, que a porta-bandeira se chamasse Felint's. E que o Rei, Naldo, o homem do chapéu de couro, fosse destaque num dos carros.
Depois todos comentariam o desfile nos seus blogs e revistas, sob a ótica marxista, feminista, "do oprimido", neobrasílioconservador, neoitaloconservador, conservador old school, conservador apenas, saderista, maoísta, kardecista, sandinista. Essas palavras arredondarim o samba-enredo. Aí eles ainda postariam vídeos e imagens.
Ia ser legal.
Arrumaram umas legendas boas de verdade pros cartuns da New Yorker.
Chama o Perky.
Eu queria tanto ter um porquinho. Hoje eu sonhei com uma fazenda, bastante chuva, grama, uma coisa pó-xadrez e azul-turquesa. (-_-)
Derilhos.
Eu tinha esquecido o Pravda, confesso, daí voltar foi como descobrir um museu de grandes novidades, para usar as palavras sábias do cantor brasileiro Cazuza. Volto ao site que agora está entre os recentemente visitados, e todo dia é uma surpresa gostosa, né.
Tipo isso "Três marcas de pijamas infantis alemãs ptovocam câncer". Pensei que a descoberta talvez pudesse ter algum dia justificado a existência da Little Miss No Name, mas, na verdade, não.
Ou talvez a France Gall pudesse.
Ou talvez o Tio Horácio pudesse.
Ou talvez a Patti Page pudesse.
Mas não.
Eu não tinha uma resposta decente pra uma pergunta que me fazem de vez em quando: "Mas por que você estuda isso, nibdocabdur?". Continuo confusa. Mas agora eu já tenho. "É porque lá cai neve amarela com 'poeira do Casaquistão-que-fica-perto'".
***
O Pravda, né? O Pravda merece um suspiro diário das boas pessoas. Não apenas das boas, mas também das excelentes. Como o excelente líder Brejnev-666. Alguém zoou.