Fui ver o "Borat" e não gostei. Teceria minhas considerações sobre o filme se o Parada já não o tivesse feito como se """lesse meus pensamentos""".
Só acrescentaria que o fato de isso ser tratado como o humor "que destrói o politicamente correto" (e o pessoal não cansa de substantivar) mostra que a correção política realmente já comprou o mundo. Curiosamente, antes de o "Borat" começar, passou um trailer de "Norbit", do Eddie Murphy. Ficou parecendo uma prévia do que viria a seguir. Mas "Norbit" não foi discutido como se fosse a salvação do humor, né. O mais deprimente, aquele momento assim em que pensei, poxa, poderia estar internada com gordura vegetal hidrogenada intravenosa que não estaria perdendo nada, foi quando vi no jornal uma sugestão de """humoristas""" sobre "o que Borat faria no Brasil", ilustrado por cartunistas do tipo os-de-sempre.
Não posso justificar com esse lixo o fato de eu estar viciada no programa do Tom Cavalcante. Mas, humor por humor, lá pelo menos empregam o Tiririca, o terror das ONGs.
O contacto com os burros proporciona diversão e relaxamento. E olha a cara de fofinho. Eu me beneficiaria muito da asinoterapia. A de verdade, né.

Aparece na página do UOL convidando pra conversar com a jornalista. Mas o que tem a ver a bateria? A expressão de desespero raivoso? As baquetas no ar? A camisa vermelha? """Não entendi?"""
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Outro dia, porém, li um comentário dela no jornal que fazia sentido. Era sobre uma matéria do NYT que dizia que o governo brasileiro estava investindo uma soma vultosa em "cultura hip-hop" pra jovens. E ela, assim, "HEIN?". Realmente, né.
Mas, olha só, agora tenho um ponto de vista, que peguei emprestado da minha tia Nielly. Se as pessoas que se beneficiam dos ensinamentos de "cultura hip-hop" subsidiados pelo governo são as mesmas que vão às ruas protestar contra a visita da caravana dos Bushes antes de ela passar, eu pergunto, assim, """como quem não quer nada""": tem coisa mais genuinamente brasileira?
Sei que não deveria rir, especialmente logo depois de fazer a minha declaração de Imposto de Renda, mas "Maranhão do Sul" me provoca cócegas no cérebro. Eu queria ler o primeiro romance passado nas terras delimitadas como as do Maranhão do Sul ou as desventuras de jovens em busca de identidade na capital, Imperatriz. Poderia até ser estilo pé-sujo, o preferido no nosso paýs. Comecei a empresa, mas, pouco perseverante, não consegui ir além do conto preguiçoso, esse ás da procriação.
"Belmiro vagabundeava pelas sarjetas de Imperatriz, ainda tracejadas com cal, à procura de um boteco depois de ter sido expulso do Batuque que Balança's Bar. Topou num coco de babaçu descomunalmente grande largado bem no meio da via.
-- Puta que pariu, vai se foder -- disse ao coco.
Acaçapou-se para pegá-lo, deixando à mostra o rego por cima do cós de sua calça de couro vegetal com rebites. No coco, podia ler (beneficiado por projetos de alfabetização de adultos) a seguinte inscrição: 'Me coma'.
-- Éguas, seu qualira, filho de rapariga -- berrou, embucetado. Atirou longe o coco."