segunda-feira, 30 de abril

A maldição da esperança

"Esperança" é o dizer de um broche que o Brasil nunca vai largar, de toda a coleção da jaqueta jeans que é o país. (Pausa.) Tropecei nesse começo de artigo instigante. Não deixa de ser irônico ou pelo menos curioso que um dos dois primeiros navios russos a vir pra cá se chamasse justamente "Esperança". Da proa ao popô. Ou foi ele que trouxe a desgraça ("Nádia, ou Esperança, como os locais a conheciam, era uma bábuchka de má índole que veio em busca de terra mais quente onde pudesse plantar suas desgraças...") ou fez troça em cima ("Vai crendo."). Ê, Rússia.

mãe menininha do penhoar às 03:15 | Comments (0)

quarta-feira, 25 de abril

O porco proibido

Na verdade eu pensava em dar ao meu romance hipotético o nome de "O porco proibido". Já que não tenho romance, o porco desse cordel merece ficar com o título pra ele.

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É a chamada zona rural.

mãe menininha do penhoar às 02:12 | Comments (1)

quinta-feira, 19 de abril

Média-metragem

Grande filme. Vou resenhá-lo. Olha só como começa a minha resenha, hein.

Épica, lírica e dramática? É melhor poupar Aristóteles, guardar Horácio. Um jogador de Super Mario Bros. fez melhor e perpassou os gêneros literários com um castelo sem chão, cogumelos e tartarugas que voam. O épico do videogame, assim como os de Homero, começa in medias res. A princesa Toadstool foi seqüestrada por Bowser e cabe ao encanador Mario salvá-la --a ação parte dos movimentos de Mario já dentro do mundo do demônio. O jogo filmado e narrado tampouco foge à regra homérica da invocação da musa: a invocação feita pelo narrador garante a Mario preliminarmente que ele vai poder salvar a princesa e comê-la.

A primeira derrota, porém, é a constatação de que não há chão. O personagem cai direto em um abismo, sem saber havê-lo, enquanto o narrador inicia sua ladainha de revolta e fé. O caráter bélico do poema oral é explicitado pelos inimigos visíveis e invisíveis que aparecem ao longo do jogo. "Koopa, você é um boqueteiro", por exemplo, mostra o conflito que se estabelece entre o narrador e Mario (como uma única força) e o mundo 1-1, que o encanador deve atravessar. O narrador, além de gritar e se lamentar, compara a referências contemporâneas a situação. "É um pesadelo, é pior que um livro do R.L. Stine, pior que um episódio de 'Family Guy', pior que Panic at the Disco, isso é pior que Ann Coulter."

Decepções e entusiasmo se alternam, mas, para além dos problemas pontuais para atravessar a fase, o narrador e seu herói entram em conflito. O problema se torna mais evidente no início da segunda fase. O narrador, manipulador da história e do herói, deus ex-machina --característica que aristotelicamente o coloca na berlinda--, se incomoda com o fato de aparentemente Mario não seguir os seus comandos. Mario, porém, não responde e continua a atravessar o mundo de Koopa Troopers. Por iniciativa do narrador, o encanador e ele passam a dividir as responsabilidades do jogo, acompanhados pela música que os guiará até a cova.

O poema épico dá lugar ao dia logos e faz surgir, então, o drama. Mario ganha voz e responde por seus atos. Goompas e arquitetura, os aspectos mais banais do mundo de Bowser atraem a ira do narrador. Ao contrário do herói, que durante todo o filme não consegue mais do que um cogumelo e se mantém impassível, o narrador torna-se mais e mais furioso no mundo 1-2. A fúria e o desespero impelem o narrador a também compor músicas dedicadas à situação, o que completa a volta ao mundo dos gêneros literários.

mãe menininha do penhoar às 14:29 | Comments (1)

sábado, 14 de abril

gente sei ler tbm ta

Entrevista com um dos autores mais bacanas que eu li no ano que passei em Marienbad.

mãe menininha do penhoar às 01:34 | Comments (1)

terça-feira, 10 de abril

Macavity, o passageiro


WILDISON!

mãe menininha do penhoar às 12:39 | Comments (1)

segunda-feira, 9 de abril

Gente fina, elegante e sincera


Um verdadeiro homem se faz com taurina, nuggets recheados e mamão.


Depois malha, né.

mãe menininha do penhoar às 12:21 | Comments (1)

domingo, 8 de abril

Minha atitude é maior que a sua

uhu
Ceeerto's. Mas posar pelado lambuzado de creme do Didi, aí tudo bem, bicho.

mãe menininha do penhoar às 23:15 | Comments (0)

Álcool e combustível

Adoro, adoro doce. Doce mesmo. Não tanto coisas doces. Bebida doce, por exemplo, não suporto. (Só o Mupy.) Arroz-doce, pipoca doce, coisas que deveriam ser salgadas convertidas em doces, desgosto. Mas, como eu adoro doce, tenho nóia de doce às vezes. E quase nunca tenho doce em casa. Nem açúcar (compro de sachê ou de cubinhos pra não decepcionar as visitas com um vidro de Assugrin).

Foi assim que nesses dias de Páscoa fiz o seguinte.
turbo
Peguei três bananas, cortei-as ao meio, longitudinalmente. Frigideira. Flambei gostoso, na cachaça com mel e canela (mas agora sou cowboy, sou do ouro, mineiridade nagô). Nota 100.

q
Ontem também tive o pico do açúcar. Tinha ido ao supermercado e voltei com planta, vinho e ração (pros meus tesourinhos, né). Tirei todos os doces do carrinho --tinha colocado uns dois, nutella e bolo frappé. Em casa, não agüentei-a-minha-onda, abri o papaia, que normalmente como puro, e coloquei um pouco de um saquinho de açúcar (desespero). Meu gato-leão, Juca Caju Juca, apareceu incontinênti. O pequeno papaia parecia ter se transformado num quilo de acém. Ele comeu o resto da fruta gos-to-sa-men-te, até rasgar a casca. Quando o Juca era pequenininho, ele gostava de mamão e de melão. Talvez ele seja fã das frutas terminadas em "ão", né?
(No registro do celular, que não faz justiça ao momento fofo, Juca come o mamão enquanto Geni observa, estarrecida: "Meu deus, a subversão não encontra limites".)

mãe menininha do penhoar às 21:19 | Comments (0)

terça-feira, 3 de abril

O país dos ladrõezinhos

Depois reclamam.
Abaixo-assinado online de apoio ao roubino: 8.632 assinaturas.
Abaixo-assinado online pela CPI do Apagão Aéreo: 4.248 assinaturas.

Tudo bem que trata-se de manifestações online, insignificantes e blablablá, mas é uma amostragem interessante sobre as tendências de mobilização dos brasileiros a respeito de dois fatos que se igualam no fato de ser rotulados como interessantes apenas à zelite. O dobro de assinaturas. Ponto pro crime.

mãe menininha do penhoar às 22:30 | Comments (1)

domingo, 1 de abril

Cobasi

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para toda a família.

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queria apresentar...

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... meus amigos, que são muitos, lotado, né.

vaigente.jpg
vai, gente, tenho horário.

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individualismo neocapitalista, soninha.

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eu gostaria de falar uma coisa.

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só, tá.

mãe menininha do penhoar às 18:43 | Comments (5)

Relato: tubarão-martelo e a arte de sorrir cada vez que o mundo diz... naum

A praia é um universo fascinante, dentre muitos motivos, porque reúne homens e bichos e não --nunca-- os iguala. Não se trata daquela bobagem sobre uma suposta democracia na praia, origem e fim da equalização de pobres e ricos, uma teoria que se não é furada já não tem validade há muito. É outra bobagem. A praia abriga desde nervosos tatuís a violentos bichos geográficos. Tartarugas-marinhas, águas-vivas, estrelas-do-mar, pepinos-do-mar, ouriços-do-mar e tantos outros animais com nomes compostos do mar. Gatos e cachorros costumam ser preteridos em praias já tomadas por humanos. Camarõezinhos chegam nos espetos. Peixes, de todas as maneiras.

Já abracei pingüim e bolinei pepinos-do-mar e estrelas-do-mar, mas nunca havia tido contato físico com um tubarão. Travei conhecimento com um dos mais populares tubarões que há. Tomado por um snorkel, um catito filhote de tubarão-martelo apareceu nas águas rasas onde eu estava.

Ainda como snorkel, a barbatana do tubarão-martelo serpenteava indefinidamente. Uma coisa preta se mexia e parecia pouco a pouco mais próxima. "Olha, uma coisa ali", minha amiga me avisou. Olhei pros lados e vi mais umas três ou quatro pessoas em montinhos também tomadas pela visão da coisa estranha. Chegamos mais perto, o visitante, também. "É um tubarão" e "é snorkel", "q", "olha", "psshhh", tinha até quem quisesse ouvir o tuba. Ele não quis se pronunciar, foi chegando mais perto. Biquínis se moviam, homens de meia-idade interrompiam o namoro subaquático, gente foi buscar câmera e pé-de-pato. Ele estava chegando.

Do lado humano, uns corriam, outros se aproximavam. Presa pela indecisão nas horas mais importantes, eu tentava aproveitar um pouco dos dois mundos, mas pendi gloriosamente pro lado dos anfitriões do tubarão. Poucos, mas simpáticos, oferecemos a ele um tour pelo mundo humano que provavelmente o coitado preferia não conhecer: estava ali por ter errado o caminho de casa. Ou por querer um lugar tranqüilo pra morrer, apesar da pouca idade. Ele tinha dois ferimentos na barriga, talvez causados por redes de pesca ou algum tipo de máquina marinha.

O filhote do tubarão-martelo é um injustiçado. Tomado por fera, traz consigo a fama de predador. Pequeno, é acessível aos cuzões que não se atracariam com ele em tamanho G. (Bom, eu estava no grupo dos cuzões, mas juro que foi por acaso. Não sei se existem cuzões intencionais, provavelmente sim, dada a fartura de tipos; ocorre, porém, que o tubarão pequeno passou por um monte de gente estranha aparentemente tentando chegar à praia.) Machucado, o turabão-martelo júnior virou mico de circo.

Quando passou por mim, o tubarãozinho não parou (sentimento de rejeição). Encostei nele e fui acompanhar seu trajeto. A essa altura, ele já havia sido seguro pelo rabo por uma ou duas pessoas. Se eu fosse tubarão, já estaria realmente furibunda. Mas ele parecia até OK. Foi então que veio o bonitão da praia. O bonitão é sempre um tipo meio feio, meio velho, meio careca e meio grisalho que, vermelho de sol e com seu rolex à prova d'água, surge no mar como se estivesse dirigindo um mistubishi. O ruim desses tipos é que, se não têm uma mulher zelosa ou o tino gay, acabam saindo de casa com uma sunga branca frouxa na bunda.

Com esse perfil, não é difícil imaginar que o sunga-frouxa foi voluntário a levar o tubarão pra casa. Queria comê-lo. Já tinha levado o bicho pelo rabo, fora d'água, ainda vivo. Sou mais tímida que filhote de robalo, mas resolvi estragar o churrasco do sunga-frouxa. Umas crianças ajudaram e começaram : "Solta elê, solta elê", e o babaca finalmente concordou que não sairia naquele domingo a sua foto de pescador valente que segura orgulhoso o tuba-martelo. Se tivesse colhões, sairia pra pescar o seu. Como é mais um na multidão, surrupia o tubarão machucado. Talvez depois de exibir o peixe como se fosse seu ele recuperasse o poder de ereção, mas, nesses casos, melhor se conformar evocando o "é deus que quer assim".

Aliás, sei que é superfreudiano, mas padeço de uma crescente repulsa por homens de meia-idade, talvez motivada até pela minha neovelhice. Não é nada grave. Só que sobretudo ao ver cenas de atividades parlamentares explícitas costumo imaginar com asco como é a vida daqueles homens em cativeiro, e como deve ser conviver com seus ternos e seus géis, inclusive os de cabelo e os de firmar dentadura, agüentar a conversinha mole, o exibicionismo que só acomete os que já não têm mais nada a exibir, os sorrisos de conquista, a expectativa de reverência. Daí só posso concluir que meus problemas só tendem a aumentar, né.

Bom, voltando. Depois que o tubarão foi solto pelo homem da sunga branca, um outro, com aspecto de deficiente mental, se assustou ao vê-lo (o tubarão, não o sunga, embora em qualquer um dos casos o susto fosse natural). Testosterona à flor da pele (costumam ser hipererotizados), agarrou o tubarão pelo rabo e novamente o peixe foi levado como se fosse butim. Interveio um salva-vidas, quando martelinho já preparava botes sucessivos, infelizmente sem sucesso dada sua proporção exígua.

O salva-vidas o levou pra longe, o homem que parecia mentalmente atrasado o acompanhou andando e, depois, com o olhar. Não consegui ver se o salva-vidas havia conseguido levar o tubarão-martelo pra algum lugar seguro ou se o escondeu na sunga pra jantar quando voltasse pra casa. Fui embora. Diminuída por estar entre os cuzões, fiquei contente como eles por ter, num domingo de sol, conhecido o tubarão-martelo.
(Viúva Porcina: "Naquele dia, conheci os homens e o tubarão-martelo".)

mãe menininha do penhoar às 02:36 | Comments (0)