
SP Trans

Moussy do Little

Indecisão

Cães trabalhando
... just like a faucet that leaks and there is comfort in the sound.
But while you debate half empty and half full, it slowly rises; your love is gonna drown.
***
Voltando ao rato de casaca, esqueci de dizer que ele parecia ter miojo por dentro, quando era vivo.

Esse é o gato que eu apelidei de Florestan --cada um dá a ele um nome, e eu soube que oficializaram "Platão". (Drury's, né.) Ele assombra/mora no prédio da Filosofia/Sociais da USP. O cheiro que ele conferiu ao espaço onde costuma ficar é mais agradável do que muitos outros olores de lá, e ainda assim pode provocar dor de cabeça instantânea, mas não é essa a questão aqui. Esse cara convive com a precariedade da universidade pública, gratuita, de qualidade e malvestida há uns dez anos e nunca reclamou de nada. Nunca quebrou nada, nunca roubou nada, nunca fumou maconha, nunca abriu a boca pra falar de "sucateamento", nunca achou que estava ali cumprindo missão sociodoutrinária. A natureza determinou a ele que limpasse o rabo com a própria língua, mas ele não se sente inclinado a impor a outros a sua própria desgraça. Vamos dar um abraço grupal *simbólico* no gato Florestan.

Esse cachorro não pode freqüentar os prédios da USP, mas mora no campus. Apesar da proibição, ele insiste em vigiar o entorno dos edifícios e corre atrás dos motoqueiros e de carros que excedem o limite de velocidade. Ele não espera nada de ninguém, só um pouco de compreensão e R$ 1 pra comprar a ração do dia. Passando pelo IEB, ele deu uma olhadinha pra ver se tinha alguém conhecido. Me viu e disse OPA VC POR AKI. Ele não invadiu nenhum prédio nem nunca usou as dependências da universidade pra conspirar contra a própria universidade, por entender que isso não é coisa que se faça. Mesmo assim, compreende as fraquezas humanas. "Eu mesmo já tive berne e sei como é", concluiu.
(No IEB, exibem preciosidades tipo isso aí. Proveniente da "CidCollection".)

Na Folha Online:
Veja como preparar com seus filhos um "Rato de Casaca" , um prato divertido feito de batata assada
Pra quem, como eu, viu um rato esmagado e eviscerado no meio da rua ontem --o que não é nada raro em São Paulo--, o prato parece peculiar. Sonhei com uma aula sobre o aparelho digestivo dos animais, mas nisso acho que teve influência também a exposição sobre Darwin no Masp, que, apesar de meio fraca, tem carcacinhas legais. Fui lá pra ver as gravuras do Goya (a decência obriga a não perder) e pra refletir mais uma vez sobre como a Segunda Guerra beneficiou o Brasil e como o nosso ethos é basicamente construído em cima da sacanagem.
Sobre isso, pensei que nossos legisladores poderiam juntar à sua pauta já anormal um projeto que obrigasse todas as traduções feitas no país a trazer no fim do título a expressão "... e um pouquinho de sacanagem", a fim de adaptar melhor a obra à realidade em que ela vai ser apreciada. "Crime, castigo e um pouquinho de sacanagem", "Cândido e um pouquinho de sacanagem", "Inferno e um pouquinho de sacanagem", "Histórias de cronópios e de famas e um pouquinho de sacanagem", "Ser, tempo e um pouquinho de sacanagem", "A metamorfose e um pouquinho de sacanagem", "Tio Vânia e um pouquinho de sacanagem" etc. Pura OSPB.

No rio morto, havia céu. (I am the eye in the sky)

No céu, sobravam carcaças. (Looking at you)

Nas carcaças, sonhos. (Oooo-oooo)

Nos sonhos. (I can read your mind)
Quando eu me lembro dessa música, eu penso no Geléia, dos Caça-Fantasmas.
Depois que os cartões virtuais viraram isca pra golpe de vírus, esse ícone da internet pré-Google parece ter definitivamente morrido. Bom, morreram; mas mesmo assim fizeram um site com cartões muito bons.
Pro Oramdir, que me mostrou o link, eu mando esse, com muito amor.

Pros demais.

Mas isso foi a coisa mais engraçada que vi hoje e eu gostaria de compartilhar.

Brendan Smialowski/Getty Images
Paul D. Wolfowitz leaving his home
in Chevy Chase, Md., today.
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Report of the Ad Hoc Group (pdf)
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Pois então, Leonis, eu queria mostrar a minha melhor metade, o Negão do Pau Mole, meu lado esquerdo do cérebro. Convido todos a ir lá degustar um canapé de canard e a apreciar a devoção ao senador mãossanta.

Aliás, tem só quadrinho bom lá. Isso sim é amor puro, tenham consideração.
(Esse, esse, esse, o céu é o limit's...)
O transporte público é mais do que o modo de deslocamento mais seguro, barato, simples e infectado da vida urbana. Ultimamente, tenho percebido que é *o lugar onde os sonhos se tornam verdade*. Não que eu tenha conseguido quitar meu financiamento imobiliário passando numa catraca. Mas a cada inscrição podre, do tipo Wildison, a cada conversa entreouvida, a cada tipo que entra no ônibus eu percebo que em nenhum outro lugar é possível chegar tão perto das assombrações oníricas que você fez pra mim.
Eu fui premiada com a visão da namorada do "Homem-Elefante". Não entenda mal, Sociedade Defensora das Pessoas "I'm a Human Being" com Protuberâncias e Reentrâncias Faciais e Corpóreas que no entanto Merecem Respeito. (Aliás, quero me filiar.) Era realmente um prêmio, porque aquela mulher me mostrou que viver --e não ter a vergonha de ser feliz-- pode ser legal. Ela tinha a testa afundada, como se tivesse sido golpeada por uma barra de ferro e fosse feita de farinha de trigo, tinha uma espécie de ovo acima da cavidade e um olho de vidro tão, mas tão estranho que parecia feito de plástico saído da mesma fábrica do pirocóptero. À parte isso, vocês sabem, todos os sonhos do mundo.
E aí de novo, um dia atrás do outro, vêm dois homens-tronco em distintos suportes, mantendo, porém, a habilidade de caminhar com as mãos, equipadas com chineloluvas ou nuas. Eles estabelecem um entendimento com os motoristas e cobradores, que os ajudam carregando os equipamentos ou dando um empurrãozinho. Eles mesmos descem ou sobem arrastando o tronco com as mãos, daquele jeito, o chamado cambalacho. E se enfiam onde dá, sem fazer muita requisição a respeito de rampa nem nada.
Era só isso mesmo, obrigada.
Fiquei impressionada ao saber da conformação da genitália dos patos machos.
While working in a Costa Rican forest, she observed a pair of birds called tinamous mating. “They became unattached, and I saw this huge thing hanging off of him,” she said.
Imagina se eles andassem de ônibus e se sentassem no fundão. Ou estivessem em qualquer fundão possível. No banco, na praça, nas flores ou no jardim. E acionassem o braço mecânico viscoso lá de trás, à distância, de modo que o fio se esgueirasse até o alvo mais satisfatório. Conseguisse romper a barreira que a curvinha do cóccix impõe. E aí ele entra na sua calça! Imagina.
Se fosse o Dan, do "Dan & Larry", ele faria isso, acho. Chocante.