Knut está obeso e "não vai mais receber croissants ou porções extras de carne e peixe durante suas refeições".
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KLUT ESTAMOS C VC!!
Realmente não acredito que haja saída pro Brasil, acho que não adianta ir embora, que estamos todos aqui cumprindo um carma, mas me cansa ficar falando mal do país. Por isso vim com uma notícia boa.
Fui a uma farmácia Drogasil comprar um teste de gravidez Amtech. Normal, todos os dias muitas mulheres com dúvidas sobre seu estado real fazem o mesmo. O resultado é o de menos. Quando abri a caixa, encontrei, além do teste, um cupom:

Aí eu fiquei imaginando se alguém já tinha traçado alguma estatística sobre a relação entre o resultado do teste e o pedido do curso bíblico. Ou quantos abortos o senhor, que é pastor, já teria conseguido evitar. Não sei se foi o fabricante/importador, cumprindo promessa, ou algum farmacêutico evangélico que colocou o bilhete lá dentro. No verso, tem "dados para curso bíblico", com espaço pra você botar seu endereço e telefone. Aí, embaixo, dão o e-mail da turma e o endereço www.n*v*temp*.org.br, que, olhei, é do Sistema Adv*ntista de Comunicação. Baita sistema, né?
Eu torço pra cumprir direito a minha encarnação brasileira, porque, se houver chance de upgrade, espero poder entrar nas cotas ou ser sorteada pra vir de barata na próxima.
Mas eu realmente penso no que o seu Galeão Cumbica estaria dizendo.
Fora isso, um comentário. Eu sempre tive um pouco de receio dos fãs do Barão de Itararé. Assim, nada de mais, é tipo ter medo de palhaço. Uma coisa interior e inocente. Isso não impede que eu veja coisas boas nos "Almanhaques". Às vezes nem são exatamente boas, mas provam que o nossopaiz tem mesmo um dedo podre pra qualquer coisa que envolva noções básicas de civilização. E, como caímos no buraco afrodescendente dos relativismos, não é nem que civilização seja algo desejável e obrigatório, mas às vezes ajuda.

É de 1955, quando ainda tinha trem no Brasil. O problema, todos vemos, não é o meio de transporte. É alguma coisa maior. É um dáimon lindo e trigueiro, que sai quando quer e chega quando pode.
Carro a álcool, câncer e acidente aéreo seguem os mesmos princípios de "um dia você vai ter um". Ainda mais no Brasil, onde gasolina é cara e adulterada, atendimento hospitalar é uma espécie de escárnio e transporte aéreo, bem, tá por aí, e todo mundo analisa "o que teria causado" o novo recorde brasileiro de morte a bordo. Admiro quem consegue "não pegar avião" ou "não voar de TAM", tendo em vista o retrospecto animador da companhia, mas eu particularmente não posso incluir esses na curta lista dos meus luxos particulares. Até porque a questão não é essa. Então estou aqui na torcida, ainda aliviada por ter aterrissado em Congonhas um dia antes do acidente.
O que me parece pior é a insistência em chamarem a putaria de "caos aéreo". "Caos" é uma palavra que me deixa um pouco receosa, porque quase sempre é usada como um balaio onde se mete qualquer coisa. "Ai, o caos." Aéreo? Não é aéreo, amigos, o "caos" é tão terrestre que tem um avião enfiado do outro lado da Washington Luís há quase 24 horas.
Não dá pra confiar em nada no Brasil que não dependa apenas de pedra, mandioca, jenipapo, cipó e um pouquinho de sacanagem. Vocês viram o Zé Gotinha. Vocês viram a ministra do Turismo. Vocês viram as inscrições nos banheiros da USP. Vocês viram o votecristo.com.br. Vocês viram as pessoas pulando diante das câmeras "do Pan", gritando "sou brasileiro com muito orgulho com muito amor". Viram o presidente coitado-subsidiado, organicamente eleito, cometendo metáforas, perdigotos e lágrimas.
As tentativas de civilização aqui fracassaram, todo mundo sabe, ainda que tacitamente ou em negação. O único problema, no caso de decidirmos pela saída lógica da vida selvagem, é que, não sendo índios juramentados, não teríamos terra grátis nem relógio nem calção adidas azul nem mesada da Vale do Rio Doce. E não poderíamos abrir mão de direitos obrigatórios como o voto, o que tornaria nossa tentativa naturalista contrasensual.
O que fazer?